-Fazem dois meses, eu estava indo ver se tinha sorte com cerveja mais barata no Mercado das Rochas em Malphius. No caminho, perto da Forquilha pude ouvir cavalos pisando nas pedras e no lamaçal, pensando serem ladrões de estrada, como anda ocorrendo bastante, me escondi com meu cavalo atrás da uma grande pedra e mantive silencio. - O taverneiro parou, olhou para o garoto ainda desacordado e suspirou. - Então não ouvi mais o barulho dos galopes e sim de algumas pessoas desmontando dos cavalos. Lembro-me de vozes dizendo algo sobre encontrar os ratos... - Disse o taverneiro que deu uma longa pausa.
-Continue homem! Imagino que eram os soldados deste tal Sir Marlon, não? - Disse Bran com interesse na história do velho.
-Não senhor, quando me esgueirei pela pedra e observei pude perceber que não eram ladrões e sim uma família faminta, procurando ratos para comer e não morrer de fome. Me aproximei, eles estavam assustados, foi difícil conseguir convence-los de que eu não ia lhes fazer mal, deixei alguns peixes e um pouco de carne-seca que carregava comigo, afinal eu podia conseguir mais comida na cidade mais a frente, o velho me contou a história do porque estavam fugindo. Agradeci a companhia e parti para meus negócios. - Disse o taverneiro que gesticulava muito ao falar, como se estivesse extremamente entretido na história que contava.
-Pelo menos você os deu uma ultima refeição digna. - Interrompeu Bran - Mas continue, por favor.
-Subi em meu cavalo e segui meu caminho para a entrada leste de Malphius, ao longe vi o enorme portão de ferro e aço se abrindo e três cavaleiros saindo de lá com uma pressa incomum. Percebi no escudo de um dos homens o simbolo do Insano... Na mesma hora estremeci e sabia que tinha de correr para evitar algo pior, esperei eles tomarem distancia suficiente para não me perceberem e fui galopando por suas trilhas no barro, cheguei ao meu destino, subi em uma pedra para poder enchergar melhor oque acontecia quando me deparei com a horrível visão de Sir Marlon estuprando a pobre mulher enquanto seu marido e filhos assistiam e choravam, temi por mim mesmo, me acovardei de longe, apenas observei. Quando os penduraram de ponta cabeça em cima do garoto e cortaram suas gargantas o ódio me inflamou, pulei de cima da pedra e gritei para que parassem, eles ja estavam para matar o garoto, então deixei a covardia de lado e corri para a morte certa, mas os deuses estavam comigo naquele fatídico dia. Com minha faca matei um dos homens de Marlon e tomei sua maça oque foi suficiente para esmagar a cabeça do outro capanga. Quando percebi Marlon já estava montado em seu cavalo galopando de volta para Malphius. Então tomei o garoto sob minha tutela e o trouxe pra cá onde eu acredito ser seguro. - Disse encerrando a história que tanto lhe pesava contar.
Bran boquiaberto com a história, apenas assentiu com a cabeça pensativo e disse - Qual seu nome? Não acho digno chamar um herói de taverneiro.
-Meu nome é Garret, senhor. - Disse o taverneiro - Mas não sou nenhum herói, se o foce o garoto ainda teria pais, foi o preço da minha covardia.
-Se não fosse um herói não haveria garoto algum para eu lhe indagar sobre seu feito nobre, não se martirize pobre homem. - Disse Bran com uma feição de sabedoria. - Mas, e o nome do garoto?
-Isso o rapaz nunca ousou me dizer, senhor. Se me da licença. - Disse o taverneiro enquanto pegava a jarra e se virava para ir ao balcão.
-Hmm, compreendo... Deixe a jarra, vou precisar dela. - Disse Bran enquanto coçava o queixo pensativo.
O taverneiro deixa a jarra na mesa e vai até o balcão onde ele senta e olha taciturno para o garoto ainda desacordado.